sábado, 26 de novembro de 2011

Condicional

Como você pode ver, encontro-me doente.
Cegueira, inércia e muitas náuseas. Não há culpa nenhuma no outro, apenas tristezas montadas sobre as minhas costas, um fogo ateado sobre o meu descanso.
Descobri não ter condições de ir muito longe da terra onde nasci, sou abatida por uma qualidade de desespero quando meus passos não são suficientes para que eu seja salva.
Talvez eu tenha evocado as demasiadas agonias que hoje tomam corpo dentro do que sou.
Longe de você, longe de qualquer pessoa, distante do meu sorriso alto - aquela mulher que caminha bem distante do que fui: sou eu mesma - causadora das raivas, dos cansaços, das preces alheias e que já sem efeito, afastam-me do mundo e de seus frutos mais sagrados: sua gente.
Escuto apenas vozes que me induzem a deitar em minha cama, e me desenham ainda com algumas doses de lucidez que não há salvação além da papel, do lápis - falar do que já vi, do que eu quis e lágrima ou boa vontade alguma podem trazer de volta.

2 comentários:

On The Rocks. disse...

Belo texto, Luciana. Gostei.

Bj

Jullyane Teixeira disse...

Lu, a gente muda mesmo com o tempo. Ninguém consegue passar pela vida sem se decepcionar ou evoluir. Assim é.

Amo vc, bjo bjo.

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