sábado, 15 de outubro de 2011

Prece amiúde

Rogo a Deus que jamais faça com que eu me torne alguém ilesa diante das janelas que se abrem diante de meus olhos, dos homens em suas bicicletas, do indivíduo frente ao mar pela primeira vez, da força da natureza feminina; que me comovam as notícias de jornais, as segundas-feiras mornas, os cafés amargos, as canções eternas, as palavras guardadas nos livros que por vezes me fazem temer com a sensação de que nada mais existe para ser escrito. E que me preserve, embora com dor, a amarga consciência leiga de que jamais chegarei ao fim de questões que a cada dia me cegam diante da inconsistência das multidões em que estamos inseridos, valiosos indivíduos.
A ignorância é sábia e abençoada para os que a tem sem pedi-la, sem a autoconsciência de que há um mundo maior além das porteiras da aldeia escondida dentro de nossas almas.

Preserve a essência de toda minha vontade de sempre dizer.

3 comentários:

Ananda Sampaio disse...

Por mais difícil que seja 'sentir o mundo com olhos atentos,a flor da pele'...existe a recompensa de que jamais tenhamos sido passivos diante da dor alheia, diante do turbilhão de emoções que estão por aí, em todo lugar esperando ser captada.Tem que existir algum tipo de benefício pra essa dor no estômago, pra esses olhos marejados, pra esses dias cinzas.Em algum lugar teremos que encontrar.Talvez pra nossa surpresa dentro de nós mesmos.Onde o mundo é mais vasto do que este que se mostra aos olhos crus.
Lindíssimo,faço das tuas as minhas palavras!
te amo!
;)

Felipe disse...

Hoje talvez finalmente que o que me cabe é esta ignorância que você cita no texto...me senti assim quando li este comentário e o seu texto...

Felipe disse...

descobri que*

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