terça-feira, 28 de junho de 2011

Em qualquer lugar longe daqui




'O sonho encheu a noite
extravasou pro meu dia
encheu minha vida
e é dele que eu vou viver
porque sonho não morre'
Adélia Prado


Estou consumida de saudade. Uma agonia ardente, flamejante. Uma fumaça que embaça a vista, um vidro esfumaçado num dia frio e escrevo o teu nome. O vazio que esperneia e grita, um desejo de buscar-te em qualquer lugar, ouvir tua voz, saber notícias, ver-te. Qualquer coisa que me faça ser invadida pela tua presença. Dói em segredo minha comoção silenciosa, como Mrs. Dolloway "sempre dando festas para encobrir o silêncio".

Quero fugir para longe e te trazer comigo. O meu melhor desejo, uma imensidão de boa vontade, cantar uma canção de amor, compartilharmos versos de leveza, deitar sobre a grama, sorrir daquela criança, que ainda inocente, um dia viverá um grande amor como nós.

Serviçal da tua ausência... É que mesmo com uma vida inteira nos dividindo sou composta de sonhos tão reais que é como se na noite passada tivéssemos dividido a mesma banheira, o mesmo leito para o nosso descanso, o mesmo prazer de nos saber juntos.

O que resta para ter esperanças é que sempre te encontro mas não sei até quando saberei dos teus olhos me descobrindo, das tuas bobagens para minha alegria. A ansiedade é companhia, atravesso horas tentando saber de hoje, amanhã e depois. E aí te ver tão descrente no que chamamos de destino me torna mais tranquila porque pensando assim nos saberemos fruto de nossa própria vontade, apenas. Sem medo de um dia qualquer sermos surpreendidos por uma força oculta que irá nos separar. Seremos o nome de nossa própria busca, você tem eternamente o nome do meu desejo.

2 comentários:

Ananda Sampaio disse...

muito lindo! Comovente...
essa é uma saudade ambígua que
mata e alimenta
te amo,
=*

Dayne Dantas disse...

'um vidro esfumaçado num dia frio e escrevo o teu nome...'

Lindo demais, Li.

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