terça-feira, 31 de maio de 2011

Ventos de maio



Como é frágil o coração humano —
espelhado poço de pensamentos.
Tão profundo e trêmulo instrumento
de vidro, que canta
ou chora.
Sylvia Plath



Estas ruas estão cada vez mais perigosas, consciências sussurrando, vozes dentro das cabeças -pra lá e pra cá, é assustador, intimida o primeiro passo de dentro de casa pra fora dela. Permanecerei cá dentro, pra dentro de meus ouvidos, eu que mal posso consolar-me, eu que mal consolar-te. Eu que já tenho minhas vozes.
Continuarei sob o teto branco do meu lar, refém do paradoxo de achar-me defesa mas sabendo não estar porque dentro do que sou existem razões e há dias em que estas se tornam os maiores sustos que levo; porque há incertezas que se multiplicam, há o que vejo e meus olhos desvendam tão pouco. Cá dentro vivo sozinha e cada vez mais.
Sinto um grito quase explodir a boca mas verbalizar não é justo, é arriscado, é falso, é como trair-me porque não posso fazer entender o que nem eu mesma sei. É difícil vociferar os nervos, o coração, meus desenhos.
Deus, há tanto errado, há tantos sozinhos. Creio que conceber a certeza de que há muito sem remédio, sob este céu, é amadurecer um pouco mais.

7 comentários:

Ananda Sampaio disse...

Lindo, lindo!

lembrei daquele poema da Cecília que ela fala q tem fases com a Lua!

Muito sincero, fácil entendimento ;)

=*

Guilherme disse...

E amadurecer, é inevitável. Seja o céu tons de cinza ou os olhos claros cor de vento. Crescer é o deleite da semente fechada e adormecida!

Valéria Sorohan disse...

Adorei a força do seu texto, algo doce, porém, direto de direita.

BeijooO*

Myself disse...

Nosso medo nos faz reféns de nossos próprios pensamentos.

Bjos!

Poupée Amélie™ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jullyane disse...

A nossa consciência, às vezes funciona como uma prisão de nós mesmos.

Adorei o texto, como sempre, Lu.

Te amo, te amo *.*

Ana Wants Revenge disse...

quietinha...

lindo o texto!
beijo
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