sábado, 28 de maio de 2011

Mais uma vez amor

Degas


'e se eu achar a tua fonte escondida
te alcanço em cheio o mel e a ferida'
Cazuza


Se eu caminhasse pela tua memória esburacada, talvez pudesse encontrar histórias perdidas e possivelmente o porquê de você estar aqui de volta.
Quando você afirma que ainda há o que ser elucidado, depois de tanto tentar e tornar-se cansativo, eu até poderia apontar outros questionamentos: os meus. Mas precisamos saber se queremos mesmo elucidar o que foi feito do nosso caminho, afinal.
Sobre o que digo agora foi Charles Dickens quem me abriu os olhos - há fatos, imagens, palavras, silêncios de grandes proporções ou detalhes quase imperceptíveis, mas demasiado mudam nossas vidas, mudam o que somos, mudam o trajeto.
Se juntarmos todas essas miudezas, os gritos, nossa lascividade e as portas batidas estaremos como agora: parados, sem saber o que dizer, sem saber pelo que lutar porque não sabemos quem somos de verdade e o que queremos do outro. Assim sendo, claramente, há muito o que ser questionado antes mesmo de encontrarmos o ponto final.
Nao sei que respostas, que palavras, nao sei a hora de ir embora ou se devo estar aqui pra sempre a esperar teu sumiço qualquer horas dessas, indagar-me sobre o que você pensa quando há apenas um negro dentro da tua cabeça.
Meus sonhos de nós dois moram no passado, o maior desejo é reviver tudo como antes fora, mas com menos agressividade, queria ter sido mais sábia e calar-me por vezes, queria chamar-me paciência.
O quadro que vejo do que somos me parece acabado, por isso minha imaginaçao sofre uma brusca freada quando chega a uma fria noite de fevereiro. Do alto daquele dia, nao sonho mais, nada mais além da lembrança de que um dia cogitamos casar e morarmos dentro de um carro.
Que infantis! Que alucinações modestas! Enfim, sem maiores esclarecimentos, anos depois revejo e só concebo a certeza de que ainda somos duas crianças.

7 comentários:

Malu disse...

Eu fico maravilhada em passear pela rede e encontrar tanta gente escrevendo lindamente e deixando extravasar tantos sentimentos e sensibilidades...
Teu texto é muito belo!
Abraços

Ananda Sampaio disse...

talvez sejamos eternas crianças - que tem como intuito ingênuo a felicidade plena. E assim vamos vivendo passeando entre tempos, entre eras. Lugares q estivemos e do qual jamais nos desfaremos.
=*
lindo texto!

Cynthia Osório disse...

há sempre espaço na memória para as nossas infâncias!!

URBAN.GO disse...

Mais uma escrita de e com o coração.
O teu raciocínio está muito correto, mas ser criança deve ser uma dádiva em ti, não uma interrogação.
Bjs, fica bem.

Camilla Mendes disse...

Faço minhas as palavras da Cynthia e digo mais: vive cada lembrança dessa infancia que tu mencionas...as melhores memórias de uma pessoa devem ser de quando ela ainda anda de pés descalços sem medo de pisar nos próprios sonhos...de qd ainda se é criança. LINDO O TEXTO!bjos

Myself disse...

A conclusão que sempre chego é que somos crianças eternamente, só nosso corpo é o que envelhece!

Beijos!

Jullyane disse...

E não somos todos infantis no amor? Quando a gente se apaixona, parece que 'emburrece', retrocede anos no tempo, é inevitável! rs.

Mas o bom é o que ficou na gente, o que a gente vai levar pra vida.

Beijo, beijo, Lu!
Amo-te

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